Dízimo_2

Revisado em Chodesh HaSheni -  2º Mês  -  5776 

O que a Torah ensina acerca do dízimo

     Estudando a Torah observamos que o povo de Israel além do dízimo destinado aos Levitas (1º dízimo), separava um segundo dízimo de todos seus bens (produto da terra) no 1º, 2º, 4º e 5º ano do ciclo de sete anos, para ser utilizado pelo doador e familiares nas festas fixas estabelecidas pelo Eterno (Lv. 23:4-44). Havia também um terceiro dízimo arrecadado no 3º e 6º ano do ciclo de sete anos que era destinado exclusivamente para os pobres. Quanto ao primeiro dízimo, este deveria ser entregue aos levitas que ao recebê-lo separava um novo dízimo (o dízimo dos dízimos) de tudo quanto recebera, e o entregava ao sacerdote, ficando então evidente que os sacerdotes não recebiam os dízimos do povo, mas sim dos levitas. 

Para melhor compreensão, transcreveremos alguns textos extraído da Torah para que possam ser comparados com a versão da Bíblia cristã.

Números 18:26-28

  • 26) E aos Levitas falarás e lhes dirás: Quando tomardes dos filhos de Israel o dízimo que deles vos dei: por vossa herança, dele separareis, uma oferta para o Eterno, o dízimo do dízimo. 27) E considerar-se-á a vossa oferta, como a oferta que se separa da eira, e como aquela do mosto e azeite que se separa das covas. 28) Assim, separareis também vós a oferta separada do Eterno, de todos os vossos dízimos que tomareis dos filhos de Israel; e dareis deles a oferta separada do Eterno, para Arão, o sacerdote

Deuteronômio 12:11, 17

  • 11) E será então, no lugar que escolher o Eterno, vosso Deus, para fazer morar o seu nome, para ali levareis tudo o que vos ordeno: os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e vossos dízimos, e a oferta das vossas primícias, e tudo o que há de melhor que prometerdes ao Eterno.
  • 17) Mas não te será permitido comer em tuas cidades o dízimo de teus cereais, e de teu mosto, e de teu azeite, nem os primogênitos de teu gado, e de teu rebanho, nem os teus votos que ofereceres, nem tuas ofertas voluntárias, nem tua oferta de primícias; 18) somente diante do Eterno, teu Deus, os comerás, dentro da cidade que o Eterno, teu Deus escolher, tu, e teu filho, e tua filha, e teu servo, e tua serva, e o levita que esta em tuas cidades; e te alegrarás diante do Eterno, teu Deus, com tudo o que possuíres.

Deuteronômio 14:22- 29

  • 22) Certamente separarás o dízimo de todo o produto das tuas sementes, que o campo produzir de ano a ano. 23) E o comerás diante do Eterno, teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, o dízimo de teu grão, teu mosto, e teu azeite, e os primogênitos do teu gado e do teu rebanho, para que aprendas a temer o Eterno, teu Deus, em todo o tempo. 24) E se o caminho te for comprido, de sorte que não o possas levar, por estar longe de ti o lugar que escolher o Eterno, teu Deus, para ali pôr o seu nome, pois te abençoará o Eterno, teu Deus, para teres produção abundante; 25) então o trocarás por dinheiro, e atarás o dinheiro em tua mão, e irás ao lugar que o Eterno, teu Deus, escolher. 26) E darás este dinheiro por tudo o que desejar a tua alma, por gado, ou por rebanho, ou por vinho, ou por vinho velho, ou por tudo o que pedir a tua alma; e comerás ali diante do Eterno, teu Deus, e te alegrarás, tu, e a gente de tua casa. 27) E ao levita que esta em tuas cidades, não deixarás de dar-lhe o teu primeiro dízimo, pois não tem parte nem herança contigo. 28) Ao fim de três anos (*) tirarás todos os dízimos de teu produto, naquele ano, e os depositarás dentro das tuas cidades. 29) E virá o levita, que não tem parte nem herança contigo, e tomará o primeiro dízimo; e o peregrino, e o órfão, e a viúva, que estão nas tuas cidades, tomarão o dízimo do pobre e comerão e se fartarão, para que o Eterno, teu Deus, te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizerem.

(*) Se não separou os dízimos do primeiro e do segundo ano da <> em seu tempo, deveria faze-lo no terceiro ano.

(**) Todo sétimo ano, desde a data da criação do mundo, é um ano sabático. [Shemitá] Neste ano, era proibido todo trabalho do campo, como: arar, semear, etc. pois a terra tinha que descançar.

  • No ano primeiro e segundo da <>, o israelita devia separar, em cada um deles, dos seus produtos da terra, o primeiro dízimo [Maasser rishon] que dava ao levita, e o segundo dízimo [Maasser sheni], que ele mesmo o comia em Jerusalém; assim fazia também ao quarto e no quinto ano; entretanto no terceiro e no sexto, separava em cada um deles, o primeiro dízimo e o dízimo do pobre, [Maasser ani] destinado aos pobres, peregrinos, órfãos e viúvas. Estes dízimos podiam-se comer em todo lugar, no entanto, o segundo dízimo, comia-se somente em Jerusalém.

Deuteronômio 26:12- 15

  • 12) Quando acabares de dizimar todos os dízimos de teu produto, no ano terceiro, que é o ano em que se separa um só dízimo, o do Levita, o da-lo-as ao Levita, e também darás um outro dízimo para o peregrino, para o órfão, e para a viúva, a fim de que os comam e se fartem. 13) E dirás diante do Eterno, teu Deus: Tirei o que é consagrado, de minha casa, e também o dei ao Levita, e ao peregrino, e ao órfão, e à viúva, de acordo com todo o teu mandamento, que me ordenaste; não mudei, e fiz como teus preceitos ; e não me esqueci de abençoar-te. 14) Não comi do segundo dízimo no primeiro dia de luto, e não comi dele, em estado impuro, e não o troquei para fazer o sepultamento de um morto; ouvi a tua voz, ó Eterno, meu Deus, fiz tudo o que me ordenaste. 15) Olha desde a habitação de tua santidade, desde os céus, e abençoa teu povo, Israel, e a terra que nos deste, como juraste a nossos pais, terra que emana leite e mel.

     Examinando as Escrituras destacaremos duas mensagens que o Eterno enviou a seu povo, Israel; a primeira encontra-se em Isaias 1:11-20; 9:16, e a segunda em Malaquias 3:8-10, e perguntamos: Porque a Igreja Cristã que se auto intitula o “Novo Israel”, não aplica o texto do profeta Isaias (Is. 3:12-15) da mesma forma como vem aplicando o texto do profeta Malaquias (Ml. 3:8) ?

    Na verdade, Ml. 3:8 trata-se de uma mensagem de repreensão para todo povo, cuja negligência no sustento daqueles cujo tempo deveria ser dedicado aos serviços do Tabernáculo e ao ensino do povo, estava acarretando grande apostasia.

     Precisamos entender que o tabernáculo (substituído primeiramente pelo templo edificado pelo rei Salomão, e posteriormente o que foi edificado pelo rei Herodes), era um símbolo do Céu dos céus, e seus rituais, símbolos dos serviços nele realizados. Portanto, quando o último templo (Tabernáculo) foi destruído pelos romanos no ano 70 EC, cessaram não somente seus serviços, como também a obrigação da entrega dos dízimos àqueles que eram os responsáveis por sua manutenção e demais serviços nele realizados.

  • Com o vácuo que surgiu, a Igreja Cristã auto intitulando-se o Novo Israel, sem nenhuma base nas Escrituras, passou a requerer de seus membros os dízimos para manutenção de sua estrutura, esquecendo-se que os sacerdotes eram mantidos com os dízimos dos levitas, não do povo em geral.

     Já Isaias 3:12-15 e 9:16 é negligenciado pelos líderes cristãos por se tratar de uma mensagem para alertar o povo a fim de que soubessem que aqueles cujo dever seria instruí-los na verdade, os estavam enganando, privando-os assim do caminho da salvação.

Aplicando os textos acima citados à igreja cristã já que ela se considera o novo Israel (sem a aprovação do Eterno), podemos verificar que:

  • *  Já que o Eterno não transferiu a benção concedida a Israel para a igreja cristã, fica claro que muitos de seus líderes utilizam indevidamente o texto de Ml. 3:8-10 para extorquir de seus membros, em benefício próprio, aquilo que não lhes fora outorgado. Digo muitos líderes, pois na verdade alguns deles realmente crêem que a igreja cristã é o novo Israel, e, devido a falta de conhecimento sobre esse tema, permanecem ligado às tradições.
  • *  O texto de Is. 3:12-15 e 9:16, que corresponde exatamente ao que é visto no meio cristão da atualidade, não é utilizado por seus líderes visto que expõe os enganos com os quais se beneficiam, com a falta de conhecimento de seus seguidores.

Mas que enganos são esses ensinado pelos dirigentes da cristandade e com os quais se beneficiam privando seus membros do caminho da salvação ?

Dentre vários, destacaremos os seguintes:

     À semelhança do que ocorria nos dias do profeta Isaias, encontramos em nossos dias membros da igreja cristã entregando suas ofertas e pagando seus votos ao Eterno por mera formalidade devido ao medo de perdas financeiras, emprego, ou mesmo da salvação em consequência de alguma maldição que, segundo são ensinado, deverá recair sobre o infiel.

     Com base em Is. 1:11-20 e 9:16; Dt. 12:11 e 17-18, observamos que até mesmo os dízimos eram abomináveis ao Eterno devido a iniquidade de seus doadores; daí surgirem as seguintes perguntas: Será que o Eterno se compras com o engano ? Proveria Ele meios para o sustento, divulgação e manutenção da mentira ?

  •  * Se assim você crê, então continue na prática da devolução dos dízimos conforme vem sendo ensinado pelos lideres das múltiplas igrejas cristãs.
  •  * Agora, se assim não creres, então pratique a caridade com os meios que o Eterno lhe tem concedido, não para alcançar o Seu favor, mas pela satisfação em ver a alegria no semblante dos necessitados em gratidão ao Eterno por terem suas necessidades supridas.

     Em Is. 1:19-20 o Eterno é bem categórico ao declarar que não interferirá na escolha que cada um deverá fazer, como também não interferirá nas consequências que cada qual receberá pela escolha realizada. Dt. 30:19.

Para reflexão

  • O Santuário terrestre e seus serviços já não existem; portanto, o compromisso de Israel com a manutenção do tabernáculo e seus serviços cessaram. Quanto aos necessitados, eles continuam vivendo no meio do povo, portanto, o compromisso do povo quanto a seus necessitados permanece até os dias de hoje. Ora, se a igreja cristã se diz ser o novo Israel, não deveria ela olhar com mais atenção para seus necessitados ?

     Quando observarmos a atenção que o Eterno dispensa aos necessitados dentre seu povo, (Is. 10:1-2; 3:14-15) teremos condição de saber o que Ele espera de cada um de nós.

Shalom !

                                                

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